quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MULTIDIMENSIONALIDADE


Transformação (Janosh)
“Fui mineral, morri e me tornei planta; como planta morri e depois fui animal; como animal morri e depois fui homem. Por que teria eu medo? Acaso fui rebaixado pela morte? Vi dois mil homens que eu fui, mas nenhum era tão bom quanto sou hoje. Morrerei ainda como homem, para elevar-me e estar entre os bem-aventurados anjos. Entretanto, mesmo esse estado de anjo terei de deixar.”       
Al Rumi/poeta islâmico (1210 - 1278 d.C)

Pastoreio 
Como somos irresponsáveis no uso das nossas dádivas divinas! A despeito dos avisos desencorajadores dos mais sábios, lançamo-nos em busca da satisfação dos nossos apetites, olhando somente o que queremos olhar, percebendo apenas o que nos convém.

Saber dos efeitos que causamos no âmbito multidimensional, provocou  em mim uma interiorização profunda, como a de quem se depara com a passagem de um ente querido para outra dimensão.

Reflexões, memórias, pesar...

Senti, nitidamente, que uma parte de mim ficou para trás, definitivamente. Esse sentimento veio ao encontro das sensações isoladas que vinha experimentando de uns meses para cá. A observação dos sinais, logo após cada repetição de comportamentos, a mudança de alguns hábitos... Alguns que já sabia serem nocivos, outros, que considerava prazerosos e indispensáveis.

Meu mecanismo de prazer e a forma como o via, não são mais os mesmos. Uma nova visão da vida abriu-se diante de mim, embora ainda não a vislumbre por completo.

Sinto agora o peso da minha responsabilidade em cada gesto, em cada palavra. Começo a compreender os efeitos de atos do passado, ainda presentes, sob inédito ponto de vista.

Alguns aspectos identificados:
  1. Agir como se fosse o centro do universo, ou o próprio buraco negro;
  2. Ser pusilânime (ficar em cima do muro), para não demonstrar meus limites. Existe implícita a cobrança por perfeição, sobre mim mesma e sobre os outros;
  3. Na crença de ter que exibir as qualidades de um ser divino, adivinhar os desejos, os pensamentos, as vontades dos outros. Saber o quê e como as coisas devem ser feitas. A mesma exigência para os demais;
  4. Ditar as normas, como quem está acima na escala hierárquica;
  5. Obedecer e servir, como quem está num degrau abaixo.