domingo, 29 de julho de 2012

Fora do Tempo

http://www.astronomos.org/
     À medida que se descortinam as montanhas ao movimento das árvores enfileiradas, entro numa outra dimensão.
     Retorno a um mundo de sonhos, marcado em minha memória com a pureza das coisas essenciais.
     Acima, as estrelas. Algumas riscam o céu em movimento mais rápido, porém tão fugidias quanto a lua, que quebra com um sorriso luminoso o negro profundo. Luz e sombra de todos os tempos.
     No escuro do pequeno cômodo, tenho à mão dois palitos, como nos primórdios da história do fogo, para acender a vela. Disponho também de uma lanterna avançada, que funciona sem pilhas, apenas sob a fricção de uma alavanca - símbolo do trajeto do homem para fora e de volta à essência. 
     Preparo-me para a viagem ao mundo dos novos sonhos, tentando, sem sucesso, apagar as luzes da mente. Preciso entender  o que sinto a partir do confronto entre a realidade e o sonho de outrora.
     Antes de prosseguir, saio para contemplar novamente a visão perfeita de luz e sombra estampada sobre a minha cabeça. 
     Retorno ao quarto. Apenas a lanterna a iluminar enquanto escrevo.
     A luz maior não tardará a chegar.
     Deslumbrante.
     Não menos, não mais que a noite coalhada de estrelas.
     Luz e sombra primordiais.
     Faço um esforço para buscá-las nas manifestações humanas. Em cada ação, aparentemente inútil, sem sentido. Nas palavras que abraçam, alternadamente, luz e escuridão.
     Quando a luz se vai, aciono, repetidamente, a alavanca da lanterna.


Fuera del Tiempo


sábado, 28 de julho de 2012

Universo pode ter singularidade não prevista por Einstein

Um corpo de grande massa pode não ser a única forma
de distorcer o tecido do espaço-tempo. [Imagem: NASA]
Segundo a relatividade geral, a gravidade é tão forte perto de uma singularidade que o espaço-tempo se distorce .


Singularidade
Os físicos chamam de singularidade o núcleo de um buraco negro, onde a curvatura do espaço-tempo atinge valores extremos, algo que as equações da física não contemplam.
De forma mais geral, uma singularidade é um pedaço do espaço-tempo que não pode parecer plano em nenhum sistema de coordenadas.
Segundo a relatividade geral, a gravidade é tão forte perto de uma singularidade que o espaço-tempo se distorce.
Singularidade de regularidade
Uma onda de choque pode criar uma descontinuidade, uma mudança abrupta, na pressão e na densidade do tecido do espaço-tempo, criando um ressalto em sua curvatura.
Mas, desde os anos 1960, os físicos calculam que uma única onda de choque não é suficiente para descartar a natureza plana do espaço-tempo em um determinado local.
O que os pesquisadores demonstraram agora é que isso pode acontecer quando duas ondas de choque colidem.
Segundo eles, o cruzamento das ondas de choque cria um novo tipo de singularidade, que eles chamaram de singularidade de regularidade.
"O que é surpreendente é que algo tão suave quanto ondas interagindo possa criar algo tão extremo quanto uma singularidade no espaço-tempo," disse Temple.
Em busca de uma singularidade
Os pesquisadores estão agora se debruçando em busca de manifestações dessa singularidade de regularidade, efeitos que possam ser medidos no mundo real.
Segundo eles, é possível que ondas de choque que passem pelo interior de estrelas possam criar suas singularidades regulares.
Mas será preciso demonstrar isto matematicamente antes que os astrofísicos possam começar a procurar por seus sinais.
 Leia mais.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Reflexos no Espelho

   
 
     Chamou-me a atenção ao esbarrar na parede.
     Carregava uma sacola de plástico em uma mão e nos ombros uma de pano. Cambaleante, as roupas e partes aparentes do corpo demonstrando não haver encontrado água por dias.
     Passou longos minutos empilhando caixas de papelão que se encontravam espalhadas na calçada e seguiu catando cada papel displicentemente deixado no chão. Alguns, colocou nos bolsos, outros, maiores, num container de obras.
     Fiquei intrigada e pensei em mim.
     De passagem, empilhando coisas, organizando, arrumando. Ações aparentemente inúteis e sem sentido. Em questão, a minha frieza no meu contato com as pessoas e como costumo disfarça-la, sob uma aparência cordial. Ou será a frieza o disfarce?
     À minha frente, minha imagem refletida. Um corpo no espelho. Uma semente sufocada pela terra que germinou, espalhou raízes profundas, projetou-se um tanto para o alto e para os lados. Uma árvore, uma planta que caminha, contrariando sua natureza, repetindo atos contínuos. 
     Imitando outros seres, tenho tentado aprender a amar. Coisas, pessoas... Sei que tem o amor que se prova com a visão, sendo possível incinerar com os olhos sem causar danos aparentes.  Outros tipos que se experimenta com o tato, o olfato, o paladar, o ouvido, combinando os sentidos, ou não, mas sempre dentro de limites.
     E ainda, o amor universal, além dos sentidos, praticado pelo ser mais elevado que almejo tornar-me.
     Testando-me, perguntei ao meu coração: - Daria a vida por aquela pessoa? 
     Como uma máquina onde se coloca uma moeda por algum serviço, ele tilintou, moveu-se, provavelmente passando por milhares de fios e circuitos multicores, buscando o que corresponderia à minha pergunta. 
     Parece que tanto os instintos como os mais avançados sistemas conhecidos até aqui, naturalmente, passam por um crivo, um processo de seleção. Não é tudo para todos. 
     Com o sol sobre a cauda do dragão (em Astrologia, significa que estão sendo iluminados os valores do meu passado que ainda mantenho), observo alguma hipocrisia nesse amor que considero expansivo, por vezes, acreditando poder amar quem nem ao menos conheço.
     Mas espere! 
     Se me refiro ao amor como o de Deus, que é o universo fora, dentro e além... Eu, que tenho o universo dentro, apenas, como posso querer igualar-me a Ele?
     Nesse intuito, num gesto de pretensão e arrogância, costumo sair me dividindo, como a um bolo, distribuindo células, pedaços de órgãos. Resquícios do tempo em que se valorizava retalhar corpos com afiada espada sob qualquer pretexto?!
     Subitamente, o coração esboça a resposta, que chega sob a forma de outra pergunta e inverte a direção da caminhada:
    — Quanto vale a sua vida?
     Aquela, questionava o valor do outro. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Canto de sapos vira algoritmo para redes iwireless

Canto de sapos inspira novo algoritmo para redes <i>wireless</i>
As rãs da árvore japonesa descobriram uma forma de resolver
 localmente um problema geral: como nunca cantar ao mesmo tempo.
[Imagem: Tanaka Juuyoh]
A inspiração na natureza para desenvolver novas tecnologias parece não ter limites. 
Para desenvolver uma rede de transmissão de dados sem fios mais rápida, pesquisadores espanhóis copiaram a forma de comunicação de um pequeno sapo endêmico no Japão.
Os machos da rã das árvores (Hyla japonica) usam o seu "canto" para atrair as fêmeas. Pelo som, as fêmeas conseguem identificar onde está o pretendente.
O problema surge quando dois ou mais machos estão muito próximos, ou quando emitem seus chamados em intervalos muito curtos - a fêmea fica confusa pelos sons e não consegue localizar nenhum deles.
Para evitar os desencontros, as rãs aprenderam a nunca cantar ao mesmo tempo, para que as fêmeas possam distinguir entre cada um deles.
Problema da pintura de grafos
Cientistas da Universidade da Catalunha usaram a técnica dos sapos japoneses para criar um algoritmo que consegue "de-sincronizar" a transmissão de nós de uma rede wireless - ou seja, assim como os sapos, os nós nunca chamarão ao mesmo tempo.
O desafio era bem conhecido dos matemáticos, que o chamam de "problema da pintura de grafos". Os cientistas queriam atribuir uma cor a cada nó da rede, e evitar que dois nós com a mesma cor chamassem ao mesmo tempo. Leia mais.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O VIAJANTE

lysimunhoz.blogspot.com
Convivendo,
Julgando,
Condenando
Valores vazios...
Dos anciãos, 
Ouvi:
Seja vazia!
Sorri.

No I Ching, o Viajante corresponde ao Hexagrama 56.

Reverencio, aqui, a sincronicidade que me cerca a todo momento, presenteando meus sentidos ao ponto de pré-voo, dentro do meu aprendizado de viver plenamente e soltar-me.

Com Mestre Roque, conheci o I CHING. Com Mestre Juan, pratiquei.

A reverência e a irreverência, o céu e a terra, o sábio e o vulgar, o sublime e o mundano, dentro de 64 mutações, representadas por 64 hexagramas. Um conhecimento cósmico transmitido para 18 imperadores chineses, 28 patriarcas indianos e 18 patriarcas chineses. Ao atingir o número 64, diluiu-se e difundiu-se para a humanidade. 

A Cosmologia Energética, como um estudo das manifestações cósmicas no planeta Terra, encontra raízes na sabedoria dos antigos povos, nossos ancestrais, que observaram e vivenciaram os mecanismos regentes, as interligações entre as coisas, passando-os oralmente, ou registrando. Nos Jogos de Pedras, muitos desses conhecimentos são utilizados.

Este hexagrama lembra que estamos apenas de passagem por esta pedra. Sugere que degustemos, provemos... Vendo, sentindo, recolhendo informações. Qualquer que seja o objetivo, estamos em movimento. Por isso, almejar resultados significativos, de longo alcance, pode atrasar a viagem. O viajante deve ter metas modestas e comportar-se com graça, propriedade, cuidado e reserva, pois encontra-se sob a mira dos que o cercam.

Embora represente apenas uma das 64 mutações, revela nossa condição de humanos. Frágil, temporária.  Ainda que possamos nos enraizar, ter em conta a mutabilidade dos estados nos leva a buscar o centro de nossa integridade para mergulharmos, com liberdade, no desconhecido que se abre diante de nós.




sexta-feira, 6 de julho de 2012

Teia cósmica tem fios de matéria escura



Os cálculos indicam que os filamentos que unem os aglomerados de galáxia contêm mais da metade de toda a matéria no Universo. [Imagem: Dietrich et al./Nature]

Eclipse científico
virtual descoberta do bóson de Higgs praticamente eclipsou uma descoberta igualmente expressiva no campo da cosmologia.
Jörg Dietrich e seus colegas da Universidade Observatório de Munique, na Alemanha, afirmam ter detectado componentes de matéria escura entre dois super-aglomerados de galáxias a 2,7 bilhões de anos-luz de distância da Terra.
É a primeira vez que se detecta claramente o "esqueleto" de matéria escura que permeia a teia cósmica de matéria no Universo.
E, o que é mais interessante, esse esqueleto aparece justaposto com a distribuição de matéria comum, permitindo uma comparação sem precedentes entre as duas fontes de gravidade.
Teia cósmica
A matéria comum forma uma teia no espaço, com galáxias e aglomerados de galáxias interligados por filamentos de gases quentes muito tênues - mas formados por átomos de matéria comum.
É necessário lembrar que, apesar de galáxias e aglomerados de galáxias serem estruturas descomunais, a maior parte do que chamamos "cosmos" é um imenso espaço vazio. Como esses filamentos se espalham por distâncias imensas, os cálculos indicam que eles contêm mais da metade de toda a matéria do Universo.
Assim, um espaço aparentemente vazio ganha uma estrutura graças à presença desses filamentos.
A gravidade produzida por eles, contudo, indica que esses filamentos não podem ser feitos apenas de matéria bariônica - a nossa matéria comum, que compõe 4% da massa do Universo.
Eles possuem um fortíssimo componente de matéria escura - essa "alguma coisa" invisível que compõe 85% da massa do Universo. Leia Mais.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tevatron anuncia resultados da busca pela Partícula de Deus - Bóson de Higgs

Com um sigma 2,9 - de um máximo de 5 - a partícula de Deus continua no reino da teoria.[Imagem: Fermilab]
Sigma 2,9
Os resultados do Tevatron apontam para um sigma 2,9, em uma escala de 5, a precisão necessária para definir que o bóson de Higgs foi realmente encontrado.
Tevatron anuncia resultados do Bóson de Higgs
O Tevatron colidia prótons e antiprótons, o que mostraria o bóson de Higgs decaindo em um quark e um antiquarkbottom. Já o LHC colide prótons com prótons, e os sinais do bóson de Higgs devem aparecer conforme a partícula decaia em dois fótons. [Imagem: Fermilab]
Os dados também asseguram que, se a Partícula de Deus realmente existir, ela deve ter uma massa entre 115 e 135 GeV/c2, o que é compatível com os 125 GeV anunciados pelo LHC em Dezembro passado.
A partícula de Higgs, ou bóson de Higgs, deve seu nome ao físico escocês Peter Higgs, um dos teóricos que ajudaram a desenvolver, nos anos 1960, o modelo teórico que explica porque algumas partículas têm massa e outras não.
Como este seria um primeiro passo rumo ao entendimento da origem da massa, os físicos gostam de chamar o bóson de Higgs de "Partícula de Deus".
Tanto o Tevatron quanto o LHC têm a busca pela partícula como um dos seus principais objetivos.
Os sigmas da física
A física das partículas tem uma definição para uma "descoberta": um nível de certeza de cinco sigmas.
O número de desvios-padrão, ou sigmas, é uma medida de quão improvável é que um resultado experimental deva-se simplesmente ao acaso, em vez de um efeito real.
O nível três sigmas representa a mesma probabilidade de jogar uma moeda e obter oito caras ou oito coroas em sequência.
Obter cinco sigmas, por outro lado, corresponderia a lançar a moeda mais de 20 vezes e obter sempre o mesmo resultado.
É altamente improvável que um resultado de cinco sigmas aconteça por acaso, e, assim, um resultado experimental cinco sigma torna-se uma descoberta aceita pela comunidade científica.
Leia mais.


terça-feira, 3 de julho de 2012

O ANJO APRENDIZ - Lição 7 - A Vida é um Palco


tazaquinews.com
            Obs.: Frases em negrito do místico Satyanátha 



Preenchido com as vivências nesta pedra, o anjo sente agora uma vertigem ao se recordar de todas elas, representantes das diversas realidades constatadas.

O caminho do meio mostra-se mais distante para a maioria das pessoas, as quais, divididas, seguem por diferentes trilhas que se multiplicam, como a terra se rachando pela ação dos cataclismos.

Não há mais caminho do meio.

Em sua mente, um grande redemoinho esmigalha as realidades e as transforma em imagens de sonho.

Confuso, sente-se perdido, desamparado.
Então tudo não passa de uma ilusão? Tudo o que fazemos, tudo o que construímos?
Para que tudo isso?
Não compreende.

Procura, mas não encontra seus companheiros.
Busca dentro de si as técnicas de sobrevivência aprendidas.
Sozinho, senta-se para meditar.
Acalma seu ser.

De repente, uma voz ecoa. É interna, ele sabe.
Reconhece seu guia, outro anjo que habita uma dimensão bem mais elevada, que diz:

"Tudo é uma ilusão? Como então lidar com isso sem desdém? Quem se importa com o que não é real? 

Para a alma, os níveis materiais são uma ilusão. Um filme projetado sobre a tela, que ela usa para aprender. 

Para o mais elevado espírito, o atman, a vida da alma é uma ilusão, um prolongamento que ele cria para que nós, seres divinos, possamos tocar a matéria mais densa. 

Para níveis mais altos, talvez o próprio espírito seja uma ilusão. E assim sucessivamente. 

Mas o ator não desiste do drama porque sabe que aquilo não é real, que os refletores pairam sobre a sua cabeça e que maquiagem cobre seu rosto. Enquanto ele está no palco, ele se dedica àquilo com afinco, criando algo fugaz, mas que tem efeitos sobre quem participa. Arranca lágrimas, risadas; em seus movimentos há tristeza e redenção.

Para nossos níveis mais altos, isto é só teatro. Só que teatro é uma coisa muito poderosa, cheia de possibilidades e descobertas." 

Ao som dessas palavras, uma sensação de paz invade seu coração.

Percebe a beleza do trajeto percorrido.
Vê a perfeição de cada movimento, de cada personagem deste grande, infinito universo.

Agora faz sentido.

Outro ensinamento, guardado em uma de suas gavetas da mente, clareia sob a luz de um holofote: “O palco é o lugar onde a mensagem é mais forte, onde as palavras ecoam, onde a fagulha incendeia.”

Levanta-se.

Lembra-se de seu pedido a Deus, agora uma promessa:
"Que eu viva a vida real e acorde outros.

Caminha.