quinta-feira, 15 de março de 2012

VERDADE

Foto de Erich Sattelmayer

Vida
Amor
Verdade
A água pura sobre a minha pele
Paisagem apocalíptica
No fundo, profundo,
Corre uma seiva: VIDA
Os sons do respirar, as folhas,
Convidam-me a tocar
Trocar: AMOR
Algo nos une
Forte corrente
Invisível: VERDADE
Raízes expostas,
A árvore se prepara para o vôo.


Minha primeira experiência racional com a verdade, em confronto com o mundo, da qual me recordo nesta vida, foi aos 4 anos.

Na época,  A Dama e o Vagabundo, de Disney, era proibido para menores de 5 anos.

Faltavam poucos dias para eu completar a idade requerida, por isso, minhas tias não viram empecilho para me proporcionar esse lazer, que era a "coqueluche" do momento. Ficaria em cartaz por pouco tempo na outrora pequena cidade de Jundiaí, portanto, era preciso aproveitar a oportunidade.

Ao chegar na entrada do cinema, o responsável pela catraca olhou para mim e perguntou: - "Quantos anos você tem?"

Contrariando a orientação prévia, olhei para minhas tias e em seguida para quem me perguntava e não respondi, apenas mostrei 4 dedos da minha mão.

Desta vez, não fui enforcada, ou queimada viva. Apenas me deram um impedimento, que desviou a diversão do dia para um passeio na praça com direito a picolé gelado.

Sempre me lembro desse episódio, que retrata de modo pitoresco a busca essencial que já trazia em  minha consciência: a VERDADE. 

Descartes dizia que há uma semente de verdade em cada um, através da qual é possível ver o que é falso ou verdadeiro e que, para descobrir com absoluta certeza a natureza das coisas, devemos nos liberar do engano das sensações e aprender a nos servir melhor da razão.

Ele, assim como meu velho novo amigo monge, virtual e real, com as palavras certas, me fizeram  reencontrar esta semente dentro de mim... Sentir, com uma razão inexplicável, que ela viaja por um universo bem maior do que sou capaz de conhecer, nascendo e morrendo, atraindo e repelindo, transformando e retornando, numa dança imensurável.

Por que e para que necessitaria medi-la? Ou comprova-la?

Mas, 
Por vezes,
Quando me sinto em casa,
E desnudo minha alma,
Consigo ver o quanto me escondo
Sob disfarces
Ainda.
Sou hábil com as palavras
Por vezes,
Enganando a mim mesma.
A verdade tem muitas faces!