domingo, 23 de fevereiro de 2014

SERES PRATEADOS

Foto de Edivaldo Fernando dos Anjos
— Profunda gratidão e reverência aos meus mestres Prata —

Eles estão sempre em movimento, ultrapassando as fronteiras do tempo e do espaço.

O que se consegue capturar deles são reflexos apenas, como imagens do click instantâneo de uma câmera, onde é possível deter-se para contemplar e aprender em ritmo próprio. Como um escudo espelhado, recebem as influências do meio, transformam-se nelas e as refletem, mantendo intacta a verdadeira imagem interior, rápida e mutável. 

Correspondem ao número 4 no relógio terrestre, onde é necessária uma estratégia para transformar o tempo e superar a realidade criada entre o que deve ser (Preto, o futuro - número 1), o que foi (Branco, o passado - número 2) e como é (Amarelo, o presente - número 3). Representa a quarta dimensão, o atemporal, superando as condições limitadas dos vácuos anteriores.

No Mapa Cosmológico, onde as energias são ilustradas no cérebro, o vácuo Prata é responsável pela comunicação verbal do homem, onde se abre a possibilidade de romper barreiras. Encontra-se aí a capacidade de reflexão e concentração. Cada pessoa, de diferentes signos, tem uma configuração peculiar, mas a energia que ocupa este vácuo é sempre a ativa da percepção, que traz informações sobre estratégias que tem e usa para se expressar.

Os Pratas são desbravadores por natureza e perseguem seus objetivos com grande determinação quando estão certos de seu plano de vôo. Como o elemento água, sua força está na união. A versatilidade permite que vivam em diversas realidades simultaneamente, passem de uma cena a outra, buscando novas possibilidades de compreensão de uma mesma situação.

Por necessitarem leveza para caminhar, são desprendidos, variam gostos com facilidade. São sensíveis, apaixonados, cordiais e cativantes, porém, seu humor pode ter variações súbitas. O fluxo de pensamento é descontínuo, de conteúdo imaginativo e intuitivo.

A condição nata de guerreiros lhes confere a responsabilidade de serem o elo entre a matéria e o espírito, o fio prata que guarda essa ligação. Assim, estão em constante busca de evolução, sempre tentando melhorar seu entorno, ocupando-se de forma a se sentirem úteis.

Ser Prata

É prata o fio da navalha.
Eu, que não o sou,
Devo experimenta-la
   em meu corpo cheio de mortes!
Aparar a pele
Requer perícia, exatidão, perfeição
Basta um descuido,
Um giro em falso
Para soar o alarme vermelho...

É prata a água.
Eu, que não o sou,
Devo tragá-la
Deixá-la tragar-me!
Os obstáculos são apenas
Algo mais a ser envolvido,
Dissolvido...
Entrar em comunhão com a água
É deixar-me preencher 
Por sua fluidez
Até fluir com seu movimento
Quando virá o pássaro beber de mim?

É prata o tempo.
Eu, que não o sou,
Devo aprender a manejá-lo
Até que se transforme
Em eternidade.
Ser prata é ser eterno
O fio da navalha não o é.