quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ONIPOTÊNCIA E EXIBIÇÃO DE PODER



"Os homens não se perturbam pelas coisas que acontecem, mas sim pelas opiniões sobre as coisas"
Encheridion - Epíteto 1991 p.13

Em movimentos importantes da minha vida, mesmo sem reconhecer, busquei ser vista.

Apesar de obter grandes realizações, ou o que externamente poderia ser visto como, sempre me senti insuficientemente boa.

De nada, passei à psicologia, desta para  administração, astrologia, cosmologia, nada novamente... Sempre persistindo esse desconforto e essa ênfase em substantivos, sinalizando que algo estava errado, incompleto.

Qual o método ou caminho mais abrangente? Para qual finalidade? Ser Deus? Ser amada? Os aprendizados sobre amor e poder, intrinsecamente relacionados nesta dimensão, passam pelos questionamentos sobre Deus. 

Buscando respostas, transgredi, destruí a vida construida sob as expectativas sociais, minhas próprias expectativas, montadas através das minhas impressões sobre os fatos, meus  pensamentos de acordo com os esquemas introjetados.

Passei pelas experiências para perceber, a cada etapa, os mesmos esquemas persistindo, disfarçados sob novas roupagens. 

Muitas das minhas ações foram ditadas pela necessidade de atingir uma meta que expressasse dignidade e poder, como deveria ser.  Exibir para os outros, exibir para mim mesma. Na defensiva, diante de um mundo incompreensível.

Para compreendê-lo, assumi papéis, personagens...

Existem regras, condições para entrar no sistema e, diversas vezes, tive que abdicar das minhas preferências ou vontades.

O curso de Psicologia ocorreu nesse tempo de descoberta das maravilhas do sistema, que me empurrava mais fortemente a assumir um papel administrativo do que terapêutico.

Durante décadas, seguiu assim...

Primeiro organizar, arrumar, suprir materialmente.

As coisas do sentimento em segundo plano... As coisas dos sonhos, para o tempo dos sonhos.

E esse tempo também chegou para mim, tão fortemente quanto o anterior.

Aprendi, vivenciei as casas dos sonhos, intensamente.

Novamente, fui chamada a participar dos esquemas pré-montados. Tarefa difícil, conciliar esses dois mundos. Revolucionei, inovei, adaptei, reorganizei, me decepcionei, me conformei...

Períodos de luz e escuridão se alternaram até aqui.

Nessa busca incessante, volto-me agora, intensamente, para a autopesquisa, onde tenho identificado os pensamentos automáticos que me fazem retornar à estaca zero. Pensamentos que, certamente, ficaram sob a superfície por muitos anos, mas que vieram à tona na ocorrência de eventos que os estimularam, tal como a necessidade de me inserir em campos desconhecidos. Insuficiência, minus valia.

Olho à minha volta e percebo as pessoas... Tão diferentes e tão iguais... Existem tantas, além dos ídolos e heróis cantados e venerados! Pessoas que seguem seus caminhos tendo a oportunidade de sentir as mesmas emoções e sentimentos, exercitar suas potencialidades, passar pelos percalços da vida, essencialmente similares em todo ser.

Percebo o quanto as hierarquias sociais, raciais, espirituais, colocadas numa pirâmide de valores a partir de idéias pré-concebidas, podem comandar meus sentimentos.

Hoje, vejo mais claramente (ou talvez apenas tirei mais um dos véus), cada indivíduo é um ser único, divino, que tem por objetivo ser si mesmo, desenvolver a própria consciência ampliando-a em direção ao infinito.

Acontece algo surpreendente dentro de mim, quando enxergo o divino em cada pessoa. Enxergo-o em mim... Buscar externamente, ou procurar uma forma de exibi-lo era, enfim, o não reconhecimento do meu próprio poder sobre minhas energias.

Meu objetivo interno não era o domínio do mundo, paradigma que, inconscientemente, seguia. 

Desvendando, passo a passo, minha programação existencial, encontro metas essenciais: autodomínio bioenergético, assistencialidade, condições para caminhar com a liberdade do verdadeiro amor que vislumbro pelo que tenho experimentado.

Para onde? Não importa.

Apenas caminho.