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Cosmologia é o universo de conhecimento, disponível para cada ser que busca compreender os mistérios da vida. De onde viemos? Por que? Para que? Perguntas que nos fazem volver os olhos para o céu e contemplar os ensinamentos dos nossos antepassados. E, ainda, temos a dádiva de poder experimentar, encontrar o verdadeiro sentido da existência por nós mesmos, através das nossas próprias vivências.

Sobre este espaço:

Compartilho aqui conhecimentos de Cosmologia Energética, pensamentos, sentimentos e experiências decorrentes de minha autopesquisa e meu caminhar pela vida.

Investigo a hipótese de que, ao expressá-los a você e a mim mesma, provoco uma dinamização dos elementos os quais, estagnados no modo de ver humano, representam passado, presente e futuro.

Colocando-os em conexões diversas, interagindo com outras consciências, outros corações, podem fluir dentro do movimento cósmico nas multidimensões, rumo ao absoluto.


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domingo, 24 de abril de 2022

DESTAQUES DO MÊS

     JOGOS DE PEDRAS COM FLAVIA KLC:

                         Informações com: flaviaklcplanetas@gmail.com.

  https://cosmo-logica.blogspot.com

   

    As configurações planetárias, neste mês, sugerem que será mais necessário do que nunca termos clareza com relação ao que nos alimenta ou não. 

    O "Jogo das Pedras As Sete Casas do Verde" poderá nos auxiliar nessa importante tarefa! Inscreva-se! 

    Ou descubra o que está em guerra dentro de você... seus aliados, seus inimigos!

                                   


      OFICINAS DE TAMBORES COM NINON CRAMER:

               Informações com: Renan Prestes Cel.(11)99327-4895

                www.escolacosmologiaenergetica.com.br

            Mais do que nunca, faz-se necessária a conexão com o sagrado e com nossa essência. 

         

        Em Junho:
         


quarta-feira, 23 de março de 2022

NOVIDADES COSMOLÓGICAS - DESTAQUE DO MÊS

O Universo não para, nos proporcionando, a cada momento, novas oportunidades de abertura para a mente e o espírito. Nossa companheira de caminho FLAVIA KLC, recebeu inspiração para o JOGO DAS PEDRAS WAR, através do qual, utilizando o Jogo de Pedras, é possível descobrir os nossos inimigos e os nossos aliados! 

Quem ainda não tem o Jogo, ou quem já tem e deseja vivenciar essa experiência inédita, entrar em contato através do e-mail: flaviaklcplanetas@gmail.com 

Através desse contato, é possível obter informações sobre outros cursos, como ASTROLOGIA POLÍTICA, ASTROLOGIA CLÁSSICA, etc. 



quarta-feira, 3 de junho de 2020

REPROGRAMAÇÕES – Trocas energéticas



Convivi com Juan, juntamente com o grupo, por 17 anos e acompanhei muitas reprogramações, antes chamadas de cirurgias. Vi doentes terminais sendo curados, pessoas realmente transformadas. Vi também muito ego e irresponsabilidade por parte de pacientes. 

Algo que me incomodava era ver como Juan, muitas vezes, sofria depois de efetuar as trocas energéticas. Não era sempre, mas quase sempre.

Me questionava de diversas formas... sob o ponto de vista do paciente, sob o ponto de vista do cirurgião, sob o ponto de vista do universo... Percebia que, com frequência, era “muito barulho por nada”, quando não havia o empenho sincero do paciente. Pensava, também: se a pessoa veio sob essas configurações, deve haver um motivo (esta questão se deve bastante à minha origem oriental) sob medida para sua transcendência.

Com esses questionamentos todos, venho procurando as respostas dentro de mim, a cada mapa, observando ao meu redor, buscando formas de interpretar e buscar saídas criativas, um jeito de redirecionar as energias. Porém, em qualquer aprendizado, ou mudança, tenho visto que o empenho da própria pessoa é primordial, decisivo! Depende dela abrir-se ao caminho da consciência!

A Conscienciologia ensina técnicas para trabalhar com o cérebro, mudar rotinas para estimular novas sinapses... Isto para preparar, apoiar os esforços de mudança de hábitos.

Alguns usam a PNL, Programação Neurolinguística, HOPPONOPONO (técnica havaiana do perdão), Constelações (Psicologia), Sadhanas (Budismo, Hinduísmo), existem muitas formas, muitos caminhos... Atualmente, a Física Quântica, que une ciência e espiritualidade, a qual, em palavras científicas, repete instruções dos antigos mestres.

Na Cosmologia Energética, existem pessoas do grupo que fazem as reprogramações com e sem os rituais originais.

Sei, também, que pode haver trocas energéticas espontâneas quando a pessoa está preparada. Eu mesma tive esta experiência, e soube de outras, confirmadas pelo Juan (ele via auras – as energias se manifestam por cores). Também é possível haver trocas em acidentes, cirurgias, estados de saúde graves.

Soube de uma pessoa que estava muito mal, havia tentado suicídio e que veio como emergência para a Montanha (São Thomé das Letras) procurar Juan. Nesse período, ele estava com o pessoal da Argentina que preparava um filme de sua vida, uma semana antes dele falecer. Juan pediu para a Flavia, do grupo de lá, que fizesse o jogo de pedras com ela. Uma pessoa, inadvertidamente, tirou uma foto da moça fazendo o jogo. Ao verificar (máquina digital), foi possível perceber as energias entrando nela. A mudança ocorrida na moça era visível e foi confirmada por Juan.

Assim, nestes tempos, penso que o mapa pode ser um guia inicial para orientar a pessoa. No entanto, ficar, obsessivamente, tentando calcular exatamente o que entrou, como fazíamos, não sei se é viável se utilizarmos esses outros métodos, ou se ocorrer durante um jogo de pedras, ou circunstâncias parecidas e não tivermos a clarividência.

Acho que o importante é dar o apoio para a pessoa avançar com seus próprios pés. Seguir carregando alguém seria muita prepotência! Não faz sentido, a menos que se escolha isso, por algum motivo que faça parte de seu aprendizado.

Há algum tempo, as circunstâncias me têm convidado a um trajeto interior muito intenso e, quando retorno a este Blog, tenho vontade de reorganizar tudo, porém, sinto que ele não me pertence. Já seguiu seu caminho.

Sigo o meu.




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O OLHO DO DRAGÃO - Amarelo Desespero

Campo de Girassóis
Pintura com a boca, de Rose Mary Orth
Já estava previsto.

Em suas instruções, Mestre Juan dizia aproximar-se o tempo em que Mercúrio, assim como Vulcano outrora, será devorado pelo Sol, provocando a mudança dos planetas nos vácuos. A pedra que representa o planeta Terra irá ao vácuo de Vênus, Marte rolará para o vácuo que hoje é da Terra.

Naqueles dias de aprendizado, na Montanha, o Amarelo (Mercúrio) já mostrava as suas características peculiares, através das quais, desde a antiguidade, tem sido relacionado à lucidez e ao seu extremo oposto, a loucura.

Entre esses extremos, o equilíbrio sempre correu sobre tênue linha, porém, pareciam distantes os dias em que o discernimento seria prejudicado ao ponto de promover o quadro generalizado de insensatez, incompreensão, corrupção das palavras e atos presente na atualidade.

Terá a raça humana acelerado o processo? Ou ocorre conforme estava escrito?

Agarrar-se a conceitos, a anseios inseridos nos sentimentos e pensamentos, em pleno movimento de desintegração, gera conflitos frente aos alertas internos.

O furacão aí está. Resta abrigar-nos no olho do dragão.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O HÁBITO QUE ME HABITA


Encaro, agora, frente a frente, o poder do hábito.

O corpo tem memórias que persistem, a despeito de estratégias e técnicas racionais.

Quantas vidas são necessárias para instalar um hábito e quantas outras para remove-lo?

A cada ordem de respirar, sinto o bloqueio. Combato-o, gentilmente.







segunda-feira, 11 de agosto de 2014

TOCA E LUA

Foto de Erich Sattelmayer

Um silêncio
De dentro para fora,
Encontra-se com o silêncio da toca do bruxo.

Olho com olhos de sentir
As mil facetas da pedra,
As mil facetas da casa...
Lembro-me de sóis nascendo e morrendo

Lembro-me de noites de lua
Daquela noite de lua...
Magia...
Demasiada magia
Para um povo mágico
Que se esqueceu.




sexta-feira, 18 de julho de 2014

LUZ E BRUMAS

Frozen Fog - wikipedia

Muita gente diz que faria tudo igual se tivesse outra oportunidade. 
Com orgulho, querendo dizer que tudo valeu a pena.
Também acho que tudo valeu a pena. 
Mas muita coisa não faria igual, senão, de que teria valido tudo?


terça-feira, 1 de julho de 2014

TAROBA


Foto de Marques Leite

Ela acabara de chegar à Montanha e, quase sem fôlego, observava o imenso vale.

De repente, um garoto gritou, entusiasmado: — Um sanhaçu!

Sem saber o que procurava, a novata traçou, com o corpo todo acompanhando os olhos, um círculo de 360 graus à sua volta...

— Um passarinho, logo ali! — insistiu o menino.

Ela nada viu. Intimamente, fez a si mesma a pergunta que a acompanhou por bastante tempo: como conseguiu distinguir algo tão pequeno nesta profusão impiedosa de imagens?!

Decerto, ajudavam-no os grandes olhos, que se destacavam de seu rosto negro sob o boné. Taroba, o chamavam. Por alguma razão, juntara-se às outras crianças que chegavam, uma a uma, por afinidade ou capricho do destino.

Outra qualidade, percebida ao longo da convivência: ele dispunha da visão periférica desenvolvida por esses nativos acostumados a contemplar a natureza exuberante do alto das pedras.

Talvez por isso tivesse que fazer um esforço extra para encontrar o mundo numa folha de papel, repleta de pequenas letras. Convence-lo a fazer essa viagem era desafio para mergulhar nos assuntos e buscar métodos inusitados de ensino.

Inúmeras vezes, ela sentiu aqueles olhos espreitando-a à distância e, auxiliada pela própria imaginação, o viu movendo a aba do boné, um tanto desconcertado. Como naquela vez, no retiro coordenado por Mestre Juan. A ordem era para que ninguém se dirigisse a ela, com palavras ou qualquer tipo de contato.

Ela vislumbrava algo de enigmático por trás do jeito amável e brejeiro de costume daquele garoto. Da mesma forma, ele parecia estranhar os modos diferentes daquela representante do "povo de fora".

Com o passar dos dias, compartilhando refeições, estudos, trabalhos, caminhadas, conversas ao redor do fogo, pouco se diferenciavam de uma verdadeira família. Ela, instrumento do Tudo para introduzi-lo no mundo progressivo. Ele, instrumento do Tudo para fazê-la retornar à essência.

Taroba, em 2014, ajudando a recuperar
a Montanha da ACVC do terrível incêndio.


Sanhaçu Cinzento - foto de Valdeci de Andrade

Amadas crianças de pedra
Ensinem-me a ser pedra
Ajudem-me a transformar-me em pedra!
"Se eu pudesse escolher, 
seria uma estrela que pisca"
Apenas mais uma forma de dizer.

(a frase entre aspas é da Mirian Rosa, numa noite estrelada na Montanha)

domingo, 29 de junho de 2014

TIRANOS E GUERREIROS


Passados muitos anos desde a grande revolução, ela retornava, anônima, ao seu lugar de origem. A justificativa, plausível ao seu coração, era necessária para acionar os passos no sentido contrário ao que tomara: não desejava mais um pai tirano! Aquele deus do Velho Testamento se mostrava fora do contexto de sua vida como a queria agora. Precisava de paz!

Também perdera sentido o título "guerreiro" ao qual o mestre tentava fazer com que todos almejassem. Não encontrava referências genuínas em sua realidade atual, de heróis produzidos, de soldadinhos de chumbo.

Em sua cegueira parcial, representara vários papéis, ora como o soldado a defender ideais, ora como a bailarina do sonho de amor. Às vezes sentava-se, pensativa, a buscar significados para tanta luta, ou para os exercícios de suportar a dor com graça e elegância.

Parecia que ela nada entendera, realmente! Ou talvez tivesse tomado um atalho errado!

...

Algumas vidas mais foram necessárias para esvaziar-se.
...

Acontece de repente. Uma frase, uma palavra e surge um clarão.

Os tiranos, pequenos ou grandes, são os portadores da luz para quem carrega a vaidade, o orgulho, a prepotência, a mania de julgar! É esta a grande guerra! O combate é contra o que não é a essência. O guerreiro da luz aproveita o encontro, a oportunidade, o desafio para eliminar esses fatores em si que o tornam vulnerável.

O tempo todo, estava à sua frente, pelo menos em título: "Os pequenos ciganos da Montanha". Apenas um jogo de palavras para descrever o que eram uns para os outros: pequenos tiranos.



domingo, 23 de março de 2014

MEU ALTAR

[Imagem: ESA/HFI/LFI]

Os apoios de muitas vidas formam um conjunto diversificado.

Perplexidade é o primeiro sentimento a me invadir ao observar os elementos de minha devoção. Comparo-os entre si, encontro a linha mestra comum, independente do tempo e do espaço.

Apoiada nos velhos e novos estudos, avanço entre vácuos, retas, curvas, reentrâncias do meu universo interior. Descubro particularidades, semelhanças, mecanismos para mover, produzir sons...

Esquema parcial de emissão de voz

Reconheço o engenho do Criador nos equipamentos que trago. Se não atinjo sua expressão máxima, é devido à minha própria ignorância.

Cérebro, essencial no caminho do despertar. Coração também, pois, sem amor, sem compaixão, a razão pode ser destrutiva, tanto quanto o emocionalismo sem razão.

O corpo mental é o carro chefe da consciência, porém, são as experiências com os sentimentos é que irão dar o volume do canto dos anjos, da forma como se consegue com o apoio e a força do diafragma enviando o ar ao palato.

Assim, vou construindo o meu Altar. Misturo terras e céus, buscando o meu tom.



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A MORTE DO XAMÃ


Impassível,
Pacientemente,
A aranha tece sua teia prateada.
A mosca, que penetra no mosaico, é o alimento...
A aranha se farta,
A mosca e a aranha cumprem os seus desígnios.

A outra mágica teia, que une
a aranha,
a teia, 
a mosca,
Une-nos a essa dança.
Apoiados na teia,
nos fartamos,
servimos de alimento
E assim cumprimos os nossos desígnios...

Ela não compreendia bem a importância dos ritos. Ninguém lhe explicara. Talvez porque tenha perguntado a quem tampouco sabia, ou não tinha tempo.

A cerimônia se alongava ao infinito. A imagem que gravou foi do monge indo e voltando a um ponto do altar, ora colocando, ora tirando seu chinelo de seda, sempre dispondo-o simétrica e cuidadosamente. Desde então, quase sempre, ao colocar e tirar seu próprio calçado, ela se lembra e, reverente, o imita.

Talvez para cada um, naquele templo, houvesse um significado diferente agregado à finalidade primordial, de marcar os 49 dias da morte de seu pai. A heterogeneidade interna desse grupo familiar contradiz, silenciosamente, as aparências.

Não era estranho para ela velar pensamentos, sentimentos. Assim deveria ser. Como um pacto, ou valendo-se dele para manter uma suposta harmonia. Já percebera a máscara a despeito da qual, em sua trajetória, vomitara rebeldia com violência.

Tenta desvencilhar-se. Da máscara e da rebeldia que passara a integra-la.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A árvore, o respeito e os reflexos na fumaça


karlasantospaisagismo.blogspot.com

Seu ciclo cármico, no cálculo original de seu mapa cosmológico é 9, aquele número que é quase 0. Ao saber, ela se revoltou, pois identificou aí sua longa espera, seu comportamento de quase árvore.

Ao vislumbrar as possibilidades de mudança, agarrou-as, intuindo um caminho de se caminhar completo. Trocou de energias, de cidade, de vida. Pensou haver arrancado as raízes no salto mas descobriu, anos depois, que sua imagem de árvore persistia num formato peculiar que a mantinha ligada às suas origens.

Agora, precisa investigar, trazer à tona registros que se insinuam, como sombras, paralisando seus movimentos.

De sua infância, contam um fato inusitado: um fio de cabelo na banheira a aterrorizava ao ponto de fazer soar gritos de pavor por toda a casa.

Tentando compreender o motivo, ela associa ao purgatório budista, como
Arte Digital de Japan Meonly
descrevem, onde se deve engolir grandes cabeleiras. Os fantasmas arrepiantes, desenhados nos livros japoneses, portando longos cabelos desgrenhados, também é uma explicação plausível.

Numa família de corajosos lutadores, a presença do medo deve ser muito bem camuflada.
Artifícios, amiúde, são necessários para manter uma imagem íntegra, impecável, de poder e domínio.

Relatos assustados sobre visões de rostos estranhos no escuro, ou de conhecidos mortos, não são estimulados, intensificando, assim, o mistério. Quanto à veracidade, ou credibilidade, impossível saber.

O que se tenta esconder, abafar, negar, porém, sai pelas frestas. Os reflexos que se formam constroem ao redor um mundo de contradições, representado em sua coleção de itens sem significado reunidos ao longo da vida, deixando-a suspensa a meio caminho.

Como de costume, ela revira seus guardados. Chacoalha cada palavra, impregnada de poeira velha. Procura o som primordial.

De respeito, desprega-se submissão, deixando exposta a cena de uma criança brincando no barro, livre, dando forma à sua imaginação. O campo se abre e ela vê suas amigas árvores, o verde se espalha, as cores se multiplicam, surgem bichos nas mais diversas formas...

Por que teria medo de ser diferente? De aceitar o que é estranho?



Eye to I Osamu Kitajima  (fundo musical desta postagem)


domingo, 26 de janeiro de 2014

A VOZ INTERIOR

Emerging, de Thomas Dodd

Na retrospectiva, ela pode reconhecer a sua história em muitos dos personagens que, ora irritada, ora perplexa, observa ao seu redor, girando presos feito elos de uma imensa e pesada corrente. Como se adivinhasse, ouve as vozes que os impelem. São familiares, pois soaram dentro dela por tanto tempo!

Faz um esforço para ver beleza nessas tentativas de galgar as escadas do poder, do sucesso material. Parece que as vozes são respostas às perguntas, aos anseios de cada um. Está tudo certo! Como seres humanos, temos muitos níveis a satisfazer, constata.


Ela já fora de obedecer apenas aos seus instintos. De agir de acordo com eles. Egoísmo, soberba, raiva, indiferença, gula, apego... sua mente afiada costuma superar num passe de mágica, aprontando-se, rapidamente, para o próximo salto. 


Agora, porém, algo a faz perceber quando aquilo sobre o que parecia ter saído vitoriosa surge, inesperadamente, de algum canto desconhecido. 


Reconhece, atônita, a voz que não fala, não julga, apenas revela.




quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A MAR



Amar é ser cativo, dizem uns.

Amar é render-se, dizem outros.

Sentindo dentro de si uma vibração que se expande e já não cabe, ela procura uma palavra que expresse a poesia que pulsa dentro de si. Busca definir o indefinível à sua maneira, a partir de sua própria experiência.

Em sua bagagem das vidas vividas e não vividas, encontra as pilhas de papéis que outrora a asfixiaram em seu estado febril: regras, teorias, modelos, mandamentos, leis... Em seu poema, talvez possam ser sintetizados em apenas uma palavra: crosta.

Pensa em respeito... Como tantas outras, é também corruptível ao entrar na lista de exigências. Traz uma imponência.

Muitas dançam ao seu redor, insinuam-se para serem escolhidas. Intui que precisa estar leve para protagonizar o evento que se acerca - tenta descarta-las.

Estranhamente, associa amar ao mar. Investiga se é apenas pela rima. Em seu estudo de sons, viu que cada um provoca um padrão específico. Os sons se despregam das letras, formando imagens... Para ela, a imagem de nadar em alto mar persiste como um desafio, a prova final.

Pela tela mágica, continua a observar o mar, a frequência das ondas. Seu impulso de saltar em águas profundas retido pelo pesadelo de afundar.

Precisa vencer esse medo do desconhecido!

Os pensamentos pesam.





domingo, 18 de agosto de 2013

SACRO OFÍCIO


O sentido que se apreende de uma palavra passa a determinar ações por grande parte da vida — veio-lhe à mente, de impacto, ao reler o Sermão da Montanha.

Sua ideia de sacrifício, gravado como o maior deles, é ser cravado numa cruz com longos pregos enferrujados, a coroa de espinhos a penetrar na testa, a seiva rubra a escorrer por todo o corpo.

Também sublime é o dos pais, que trabalham pelo sustento dos filhos, suando em bicas, sem se importar com o cansaço. Padecer no paraíso, oferecer alimentos ou vidas para aplacar a ira dos deuses... na missa, comer o corpo e  beber o sangue.


Viver dignamente é preencher os vácuos daqueles que morreram, cumprir o papel dentro do grupo, atendendo expectativas. Fazer jus a esses atos tão valorizados, repetir, como em videoteipe  as cenas quotidianas. Sacrificar-se. Há coisas que se entende, mas não se compreende, dizem, resignados ou ansiosos. 


Uma dor física no centro do peito confronta-se a pontos de interrogação no cérebro. Alguma luz dentro dela sinaliza que existem lacunas, dissonâncias que impossibilitam completar a travessia em harmonia. A rebeldia sem causa que a acompanha incita a buscar a compreensão do incompreensível. Buscar uma causa, talvez.


Repassando em flashes as experiências vividas, lidas, assistidas, começa a perceber sob nova forma as interações.  Dentro das convenções, à medida em que se pratica as melhores qualidades, estas passam a ser aspectos já esperados e exigidos, acabando por escravizar.


No desenrolar das histórias,  dar espontaneamente o melhor de si é parte de um contrato, um papel, um acordo qualquer. As convenções prevalecem sobre as necessidades humanas, sobre as qualidades essenciais como liberdade, prazer, amor. A ordem das caixas é mais importante que seu conteúdo. O compartilhar transforma-se num jogo de interesses.


Pergunta a si mesma: — A partir de quando abdiquei de mim?


Os compartimentos preenchidos da razão abrem-se, pouco a pouco, passando a desenvolver um diálogo com seu coração. Permitem que desabafe, expondo situações e posturas que o apertam, outras que o deixam mais quente, ou mais leve, ou fazem-no saltitar. 

Juntos, cabeça e coração, lembram que sacrifício deriva de sacro-ofício. Realizar o que é sagrado. No caso de Jesus, é a palavra, são os ensinamentos o sacro-ofício. Para realiza-lo, suplantou a vida física. As dores não o desviaram do objetivo maior a que veio.


Num lampejo, ela se dá conta de que, por muito tempo, ofereceu o sacrifício de forma equivocada, confundindo o objetivo com o espetáculo.

  
Desta vez, porém, não se castiga. Não dispor de total clareza é condição de seu estado atual. Faz parte do aprendizado, convida a experimentar com o corpo as coisas do mundo. 

Continuando a conversa interna, surpreende-se com as notas que produz. Números naturais, racionais e irracionais se distorcem em letras, linguagens, expandem-se em mínimas, semibreves, colcheias, alternando figuras de som e silêncio.

Ela dança, executa o sacro ofício.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

ORIGENS


"Antes de eu vir a esta terra, eu era o mesmo. Como uma menina, eu era o mesmo. Eu cresci em feminilidade, mas eu ainda era o mesmo. E, mesmo agora, eu sou o mesmo. Embora a dança da criação nunca mude em torno de mim no corredor da eternidade, eu serei o mesmo."
- Sri Anandamayi Ma (1896-1982), mística Bengali 

Quando postei este texto pela primeira vez, em abril de 2012, ele surgia como uma resposta para questões conflituosas dentro e fora de mim, pressionada pela necessidade de me colocar frente a assuntos de certa forma apartados em algum momento da vida.

Polêmicas e numerosas são as discussões sobre as bases e as origens das coisas, tais como entre Astrologia e Astronomia, o começo do universo, as origens dos povos.

Buscando as raízes, inclusive as que me ligam ao estudo da Cosmologia Energética, encontro a Astrologia, da qual pouco havia falado, talvez por covardia, ou cansaço de ouvir tantas e injustas críticas.

Mantenho, aqui, meu pedido de perdão aos cientistas de plantão que porventura acessem este site e lanço mão da minha força interna para corrigir o lapso, reafirmando: o que me interessa, é a minha própria experiência. O meu ser interior. O que me é precioso, os ensinamentos que trouxeram as experiências dos demais. Meu objetivo, compartilhar minha vivência.

Por isso, me acoplo à premissa de que não se deve crer em nada. E convido os visitantes deste espaço a que não creiam em nada. Que façam suas experiências e comprovem por si mesmos. Afinal, não é assim que funciona a ciência?

No meu mapa Astrológico, Saturno e Netuno estão em conjunção, no signo de Libra, na casa 4.

Uma união de peso no início. Representando Saturno, o Rosa, características de gente trabalhadora, ciente de suas obrigações neste planeta, mas também ligada ao prazer físico. Ao lado, o grande regente Prata, Netuno, trazendo os mistérios da imensidão: espiritualidade, traduzem alguns, nebulosidade, confusão, traduzem outros.

Pude identificar nos meus pais essas tendências, coexistindo em ambos, sem grandes interações.

Assim como em mim. 

Na auto investigação, tem sido fácil descobrir a história da parte materna, a qual, ainda que repleta de grandes mudanças, preserva vestígios de sua existência.  Família de guerreiros e governantes, de vencedores e perdedores. Na época feudal do Japão, até onde cheguei, as posições sociais não eram sólidas, sujeitas aos resultados das frequentes e sangrentas batalhas. Tampouco os sobrenomes, que nem sempre seguiam a linhagem paterna. Mas conheço todos.

Daqui, concluo porque o ostracismo é um sentimento comum. De igual forma, a soberba e o perfeccionismo, itens essenciais para sobreviver, para se sobrepor.

Da parte de meu pai, parece tudo mais hermético e indefinível quando retrocedo no tempo além das relações vivenciadas com meus avós. Não encontro familiares que possam ampliar o que já conheço, fazendo parecer que tudo está dentro do politicamente correto, ou não.

Minha intuição e estudos do que está oculto começam a revelar alguns pontos. Vejo neste lado o meu espírito selvagem. Soube que a raça japonesa não é geneticamente pura como se acreditava, descendente dos deuses. Há pelo menos a mistura entre dois povos: os IAIOI, de rosto fino e comprido, imberbes, olhos mais oblíquos, mais intelectuais e administrativos, e os AINU, de rosto mais arredondado, olhos maiores, tez amorenada, e mais peludos, como cabe ao povo da floresta.

Como nômades, atravessaram o mundo, de onde pressinto a razão de estar aqui, neste lugar.  Me identifico com O-Chikara (A Grande Força). Intuo a razão das memórias de lugares diversos.

São enigmáticas as malhas de Netuno, mas me deixo guiar, isenta das amarras daquilo que considero racional.


Povo Ainu, Índios do Japão


Samurais



sábado, 20 de julho de 2013

MARESIA


Pode o que é sagrado deixar de sê-lo?

Levada pelo vento, ela oscila entre crenças e descrenças, seguindo o caminho tortuoso que provoca, de quando em quando, náuseas, males de mar.

Trocando fases, como uma lua, sente devoção pelo ar que respira, por cada manifestação de vida, crescendo e decrescendo.

Há momentos em que tudo é escuridão. Mergulha, tentando quitar o que a mantém viva.

Em outros, deixa-se invadir pela luz, que se expande através dos seus olhos fechados. De tão plena, sequer distingue as formas das coisas.

Ouve, ao longe tão perto, vozes além da fala:
"O Atman consiste do espírito, cuja encarnação é vida, cuja forma é luz, cuja essência é espaço, que muda sua forma à vontade, rápido como pensamento." Sukla Yajur Veda
"O açúcar é doce o tempo todo, mesmo no escuro. Assim, permanece a devoção para os devotos, em tempos de conforto ou desconforto, elogios ou insultos, escuridão ou iluminação." Pramukhswami Maharaj

Soam como música, células e cores dançam.

No corpo imóvel, lábios se estendem fazendo surgir maçãs.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Navegar é preciso, viver não é preciso!


          Uma pequena homenagem para meus amigos de Portugal e outros que vivem à beira mar.

Para ela, a frase vem sempre através de uma voz de sotaque carregado, embalada por um instrumento que faz bater o vento nas velas.

A cada sonho, o sopro leva para um lado.

Na solidão e tédio da pequena aldeia, o mar à beira se impõe aos sentidos, despertando a necessidade visceral de mover o corpo ao objeto, à miragem delineada pelo desejo. Navegar é paixão que suplanta a vida. Ainda que alertem quanto ao precipício de um mundo quadrado, ela se lança, como Pompeu, gritando: navegar é preciso, viver não é preciso!

Na choupana que compõe o cenário de Fernando, enquanto aquece um pedaço de pão na pedra, ela observa os primeiros raios de sol rompendo a penumbra, invadindo, por instantes, a vida que desejava tornar grande, criando uma nova humanidade.

De repente, a luz revela: não, a vida não é precisa! O poema, montado com as rimas do costume, dividindo tudo em certo e errado, bom e  mau, soa, dissonante. Esses julgamentos não são precisos!

Esse viver não é preciso. Navegar é preciso!

Voltando ao real, ela salva o pão, quase a queimar-se. O horizonte se expande no pequeno cômodo, junto com sua alma.

Sente o aroma do café, o vento a fazer-lhe ondas sobre o corpo.

Respira e sorri, saboreando sua primeira refeição.