sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O ANJO APRENDIZ - Lição 9 - Imanente


Agora, consegue ficar invisível.

Não para todos, porém.

Alguns irritam-se com ele. Perguntam-se: como pode ser assim tão parado? Nada opina, nada faz!

Ele também, com frequência, ralha consigo próprio, concordando ser um inútil, comparando-se às pessoas tão ativas e produtivas ao seu redor. Sente um cansaço imenso, só de pensar em acionar  da forma costumeira, como sabe que deve ser.

Outras vezes, quando deixa-se conduzir pela luz, sente-se em paz. Por nada desejar, tudo tem.

Nesses momentos, ao seu lado, o homem de lata percebe que, inexplicavelmente, sente desaparecer as dores, companheiras de todas as horas. A mulher, cujos cantos da boca acompanham o movimento para baixo, seguindo seu amargor constante,  surpreende-se com um sorriso a brotar-lhe no rosto. À sua passagem, um aroma difuso de floresta, como uma leve brisa, invade os recintos, acariciando e arrepiando as peles.

Parece deter toda sabedoria, sulcada em pedra pelo cinzel de algum grande artista. Parece ser digno de veneração, como a estátua, sem sê-lo.

Numa tentativa de dar-lhe uma definição, além de nada, alguém poderia dizer que é um desafio à compreensão humana. Uma provocação para os que se guiam por valores vigentes.

É uma provocação para si mesmo, sentindo-se pleno sendo nada, e nada ao buscar plenitude. A dicotomia surge quando se divide.

Conduzido pela luz, por afinidade especial, está em paz.

Nada deseja.

Tudo tem.

Ele é.